A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou seu relatório anual, no qual é traçado um panorama dos riscos sofridos por jornalistas em todo o mundo. Os dados que chamam mais atenção se referem aos números de jornalistas presos e mortos no exercício de sua profissão.
Atualmente há 488 jornalistas presos no mundo, um recorde desde quando a RSF iniciou a contagem no ano de 1995. Este número é ainda 20% maior do que o registrado em 2020. Segundo o relatório, estes números “revelam a força da repressão cada vez mais implacável contra a informação independente”.
Alta histórica no número de jornalistas presos
De acordo com Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, esta alta histórica no número de jornalistas detidos “é um reflexo do fortalecimento das ditaduras no mundo, de um acúmulo de crises e da falta de escrúpulos desses regimes. Também pode ser o resultado de novas disputas geopolíticas de poder, onde os regimes autoritários não sofrem pressão suficiente para limitar a repressão”.
Os cinco países onde há mais jornalistas presos são: China, com 127 profissionais da comunicação detidos; Mianmar, com 53; Vietnã, com 43; Belarus, com 32; e Arábia Saudita, com 31. O número de jornalistas mulheres presas chegou a 60, mais um recorde e um aumento de 33% em relação a 2020.
Caiu o número de jornalistas mortos
Outro dado importante apresentado no relatório é sobre o número de jornalistas mortos durante o exercício da profissão em 2021. Apesar de alto, 46, este é o número mais baixo registrado pela RSF em quase 20 anos. Desde 2003 esse número não ficava abaixo de 50.
O relatório ressalta que essa queda, que vem se acentuando desde 2016, “pode ser explicada em parte pela estabilização de conflitos regionais (Síria, Iraque e Iêmen) após 2012 e 2016. No entanto, o número de casos registrados segue elevado, em média, cerca de um jornalista é morto por semana no mundo”.
Os cinco países mais perigosos para jornalistas
Entre os jornalistas mortos, ao menos dois terços foram deliberadamente executados. O que preocupa a RSF é que apesar da proporção de execuções ser menor que a de 2020 (85%), ainda está acima da média dos últimos cinco anos. “A cada cinco jornalistas, três foram mortos em países que não estão oficialmente em guerra”, lamenta a RSF.
Os cinco países mais perigosos para jornalistas em 2021 foram: o México, com 7 jornalistas assassinados; o Afeganistão, com 6; a Índia, com 4; o Iêmen, com 4; e o Paquistão, com 3. Confira o relatório completo da Repórteres Sem Fronteiras clicando aqui.